Um pouco de New Orleans (e de comida…)

New Orleans é a capital mundial do Jazz. É uma cidade portuária de 390 mil habitantes localizada no estado de Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Apesar de ser o maior centro metropolitano do estado, New Orleans não é a capital da Louisiana – este posto pertence a Baton Rouge, com 230 mil habitantes.

New Orleans tem esse nome, porque foi fundada pelo francês duque de Orléans, que foi regente da cidade de 1715 até 1723. Essa região dos Estados Unidos foi colonizada por franceses e sempre teve forte influência europeia – na cultura, gastronomia, arquitetura (como vocês podem ver na foto abaixo) etc.

Além dos europeus, New Orleans — e muitas outras cidades do sul dos Estados Unidos — sempre receberam muitos negros e mestiços vindos da América Central. Esses povos eram comumente chamados de crioulos, e carregavam com eles muitos traços da Espanha, que havia colonizado a maior parte das ilhas e países da América Central.

Para finalizar a onda de imigrantes, havia os negros africanos, muitos dos quais vinham forçados a trabalhar como escravos nas lavouras de algodão do sul dos Estados Unidos, e também os acadianos, que posteriormente formaram a cultura Cajun – foi esta cultura que deu origem ao Swamp Pop, como já foi dito aqui no blog.

Essa mescla de africanos, acadianos, europeus – sobretudo franceses, ingleses e espanhóis e seus descendentes – e americanos resultou em uma troca riquíssima de culturas de culminou, entre outros, no Blues e no Jazz, essas criações maravilhosas que exerceram influência em praticamente todos os ritmos ocidentais que surgiram depois deles.

Mas também são interessantes a gastronomia e a arquitetura resultantes desse encontro. O centro de New Orleans, onde fica a famosa Bourbon Street, o coração da cidade, é chamado de French Quarter (bairro francês, em tradução livre) e tem uma arquitetura maravilhosa, com influência europeia e também crioula.

Comida, onde tudo se encontra

Jambalaya

New Orleans também é bastante conhecida pela sua gastronomia. A culinária autóctone, originária dos indígenas, exerce bastante influência na gastronomia como um todo. Além, é claro, das culinárias francesa, espanhola e crioula.

Umas das especialidades da região são os famosos beignets, um tipo de “donuts francês” delicioso, que é servido acompanhando de café com leite. O café de lá, inclusive, não é só café. É uma mescla muito particular de café e chicória.

Po-boy é um sanduíche tradicional. Ele consiste em carne – em geral rosbife ou frutos do mar fritos – servida em uma baguete típica da região, conhecida por sua casca crocante e seu miolo bem fofinho. Alface, tomate, maionese, mostarda e picles também podem ir no pão, acompanhando a carne.

Frutos do mar são muito comuns em New Orleans – que, como foi dito acima, é uma cidade portuária. Ostras e camarões compõem grande parte dos pratos.

Étouffée é outro prato regional. Resultante de uma mescla das culinárias crioula e cajun, ele consiste em carnes cozidas em caldos e servidas com arroz. Este prato emprega uma técnica conhecida como “smothering” (abafamento, em tradução livre), um método bastante popular na culinária Cajun. Ele consiste basicamente em cozinhar a carne em uma panela tampada, em fogo baixo e com uma pequena quantidade de molho. As carnes cozidas assim são servidas com arroz.

Jambalaya é um prato regional com mais influência espanhola e francesa, sobretudo da paella espanhola e da Jambalaia francesa (da região de Provence). São vegetais e carnes bem temperados e misturados com arroz. As carnes, geralmente, são salsichas, tripas, frutos do mar, porco e frango. Os vegetais mais comuns são cebola, alho, tomate, salsão e pimentas. Uma verdadeira delícia.

Étouffée de camarões

Quanto às sobremesas, a especialidade são as pralines, um doce feito com açúcar mascavo, açúcar cristalizado, creme, manteiga e nozes pecan.

Mas o prato predileto, aquele de toda segunda-feira, é o famoso arroz (rice) com feijão. Só que, nesta região, usam-se feijões vermelhos (red beans).

Inclusive, Louis Armstrong frequentemente assinava suas cartas dizendo “Red beans and ricely yours” (um trocadilho com a forma de assinar cartas em inglês, usando “sincerely yours”), em uma clara alusão à culinária de sua cidade natal.

Comida com Música

Louis Armstrong nasceu em New Orleans. Ele cresceu comendo todos esses pratos gostosos, que lhe deram sustância para que ele criasse as suas músicas.

É um dos muitos artistas que respiraram o ambiente musical do sul de Louisiana, e é Armstrong, sua vida e obra, o tema do próximo artigo do blog.

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