Blues, a origem de tudo

O Blues é a origem de tudo. Este estilo musical é o pai do Rock and Roll, do Pop, do Jazz e de muitos outros gêneros que cresceram e adquiriram independência. O Blues, no entanto, sempre será Blues, o mestre a quem todos se voltam.

O Blues nasceu no sul dos Estados Unidos. Os negros escravos que vieram da África cantavam seus cantos de louvor africanos durante o trabalho, nas lavouras de algodão. Os descendentes desses escravos criaram novas canções a partir desses cantos – e foi assim que, no final do século 19, nasceu o Blues.

Paisagem de Louisiana, estado do sul dos EUA

Este gênero sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana do sul dos Estados Unidos, sobretudo nos estados de Alabama, Mississippi, Louisiana e Geórgia.

Ele é caracterizado por uma progressão específica de acordes, assim como pelas blues notes – chamadas em português de “nota fora”, embora seja mais comum ouvir as pessoas falando o termo em inglês. Uma blue note é uma nota cantada ou tocada com um timbre ligeiramente mais baixo do que o da escala maior, o que faz com que a nota tenha um som triste e melancólico.A própria palavra blues, em inglês, significa melancolia.

O primeiro tipo de blues: Delta

Não existe “a primeira canção de blues” ou “o primeiro artista de blues”. O Blues surgiu de uma forma mais social, ambiental e progressiva do que de uma única canção. Como foi citado acima, os primórdios do Blues estão nos negros africanos que cantavam seus cantos durante o trabalho nas lavouras de algodão, no sul dos Estados Unidos.

Há, no entanto, um primeiro nome popular que surgiu como músico específico de blues. Charley Patton, em meados da década de 1920, se destacou com sua música e é conhecido, até hoje, como o “pai do Delta Blues”.

O Delta Blues foi um dos primeiros estilos de Blues e originou-se na região do delta do rio Mississippi, que se estende de Memphis, Tennessee a norte, Vicksburg, Mississippi no sul, e do rio Mississippi a oeste ao rio Yazoo a leste.

Depois de Charley Patton, na mesma época, surgiram nomes como os de Son House, Tommy Johnson, Bo Carter, Leroy Carr. Na década de 1930, no entanto, surgiu um dos grandes nomes do Blues, até hoje: Robert Johnson.

Robert Johnson

Robert Johnson morreu cedo, aos 27 anos, e compôs apenas 29 canções. Apesar do pouco tempo de vida e do repertório pequeno, ele é um dos mais lendários e polêmicos artistas do Delta Blues. Há várias versões para a sua morte, a mais comum diz que tomou uísque envenenado pelo marido de uma de suas amantes.

As canções de Robert Johnson são consideradas alguns dos maiores clássicos de Blues de todos os tempos, e abriram as portas para as próximas gerações de músicos de Blues.

A guitarra elétrica revoluciona

No final dos anos 30 e início dos 40 surgiram as primeiras grandes bandas de blues. Uma era comandada por Big Bill Broonzy e outra por Sonny Boy Williamson.

Sonny Boy é também considerado o “rei da gaita”, o homem que colocou a gaita como instrumento de primeira grandeza no blues. Seus solos de gaita eram incríveis.

A partir de 1942, o Blues passa por sua primeira grande revolução, com a entrada em cena da guitarra elétrica. O lendário guitarrista T-Bone Walker foi o pioneiro na utilização da guitarra elétrica no Blues. Foi ele quem abriu caminho para o formato do Blues moderno, baseado na repetição de 12 compassos da melodia base, e com o solo totalmente livre do acompanhamento – ou seja, o puro improviso.

T-Bone Walker também foi o herói de infância de outro guitarrista lendário: Jimi Hendrix, que buscou durante toda a vida inspiração em seu ídolo.

O surgimento da guitarra elétrica e sua utilização no Blues levou esse estilo musical a um novo patamar. O Blues deixou de pertencer a um grupo pequeno de negros e se tornou cultura popular no sul dos Estados Unidos.

Como a população negra do sul estava em uma onda migratória para Chicago, por conta das condições precárias de vida, o Blues também chegou a Chicago, no norte do país.

Em Chicago, os artistas de Blues entraram em contato com instrumentos elétricos, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades com a música.

O Blues passou para o próximo nível.

O Blues de Chicago

Um dos precursores do Blues de Chicago e da utilização da guitarra elétrica foi John Lee Hooker. Ele tinha um estilo de cantar falado, que se tornou sua marca registrada. Também foi criador do Boogie Blues. Seu carisma era enorme e era quase impossível ficar parado enquanto ele cantava e tocava. John Lee Hooker abriu caminho para nomes consagrados do Blues da guitarra elétrica, como Muddy Waters.

Muddy Waters, uma dos artistas mais influentes do Blues americano

Muddy Waters foi o primeiro a utilizar apenas instrumentos elétricos em sua banda. Ele é o grande nome desta nova fase do Blues e é, talvez, ao lado de Roberto Johnson, a figura mais influente e popular do Blues americano. Ele também foi o primeiro artista de Blues a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos.

Muddy Waters compôs a canção Rollin’ Stone, que serviu de inspiração para o nome da banda Rolling Stones e também para o nome da revista americana homônima dedicada ao Rock. Ele ainda compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos do Blues, como Baby Please Don’t Go, I Can’t Be Satisfied, Honey Bee e Hoochie Coochie Man.

Outros nomes de grande destaque desta segunda fase do Blues são o de Willie Dixon e Howlin’ Wolf. Wolf era guitarrista e gaitista e ficou conhecido por sua voz rouca e seu blues bastante swingado – uma delícia de ouvir. Os três – Muddy Waters, Willie Dixon e Howlin’ Wolf – fizeram parcerias que resultaram em verdadeiras obras-primas do Blues.

Nesse período em que a guitarra elétrica entrou em cena, no entanto, o grande artista que conseguiu a colocar como elemento central do Blues foi B.B. King.

Influenciado por T-Bone Walker, B.B. King levou o solo de guitarra para outro patamar. Ele criou um estilo único e inigualável de tocar o instrumento, e influenciou praticamente todos os guitarristas que vieram depois dele.

Mas não era apenas o solo de guitarra de B.B. King que fazia sucesso. Sua voz grave muitas vezes se destacava mais do que o próprio instrumento.

Não à toa, B.B. King se consagrou com o “rei do Blues”, e merecidamente. É por isso que consagraremos nosso próximo artigo inteiro para ele.

One thought on “Blues, a origem de tudo

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